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COMUNICADO

Análise de larga escala realizada pelo BCE aumenta a fiabilidade e a comparabilidade dos modelos internos das instituições de crédito

19 de abril de 2021

  • O BCE avaliou os modelos internos utilizados pelas instituições de crédito para calcular os ativos ponderados pelo risco no que respeita ao risco de crédito, ao risco de mercado e ao risco de crédito da contraparte.
  • A análise de larga escala visou verificar se as instituições de crédito cumprem as regras e aplicam os modelos internos de forma coerente.
  • A análise traduziu-se num aumento dos ativos ponderados pelo risco de 275 mil milhões de euros nos últimos três anos e em mais de 5000 constatações de não conformidade, a corrigir pelas instituições de crédito.

O Banco Central Europeu (BCE) publicou hoje os resultados da sua análise específica dos modelos internos (targeted review of internal models – TRIM). As instituições de crédito de grande dimensão e maior complexidade utilizam habitualmente modelos internos para determinar alguns dos seus ativos ponderados pelo risco (risk-weighted assets – RWA), os quais servem de base para as instituições calcularem as respetivas necessidades de fundos próprios.

Esta análise teve por objetivo assegurar que os modelos internos estão em conformidade com as regras e produzem resultados diferentes apenas quando os riscos subjacentes são distintos. Por outras palavras, a TRIM reduziu a variabilidade não baseada no risco dos resultados da aplicação dos modelos. Com 200 verificações no local conduzidas em 65 instituições de crédito significativas que utilizam modelos internos, a TRIM é o projeto de maior dimensão realizado até à data pela Supervisão Bancária do BCE.

“Este exercício de larga escala, o maior projeto de sempre do BCE, contribui para assegurar condições de igualdade no setor bancário europeu ao garantir que os modelos internos são fiáveis e os seus resultados comparáveis”, afirmou Andrea Enria, presidente do Conselho de Supervisão do BCE. “Confirma que a aplicação coerente de modelos internos é possível, mesmo numa área de supervisão tão vasta como a união bancária. As instituições de crédito estão a dar seguimento ao exercício, no sentido de sanarem as deficiências e cumprirem plenamente os requisitos. O nosso guia sobre modelos internos irá apoiá-las nesse processo.”

O BCE efetuou mais de 5000 constatações e adotou medidas de supervisão vinculativas para que as instituições de crédito apliquem medidas corretivas dentro de determinados prazos. Em virtude dessas medidas, a TRIM resultou num aumento de 12% – ou seja, de cerca de 275 mil milhões de euros – dos ativos ponderados pelo risco para os modelos verificados. Dito de outro modo, uma vez que a TRIM determinou que as instituições de crédito incorriam em mais riscos do que os anteriormente estimados, o rácio de fundos próprios principais de nível 1 (Common Equity Tier 1 – CET1) das instituições de crédito que utilizam modelos internos diminuiu, em média, cerca de 70 pontos base em resultado da TRIM entre 2018 e 2021.

A TRIM confirmou que as instituições de crédito podem continuar a utilizar modelos internos para calcular os ativos ponderados pelo risco, desde que corrijam as deficiências detetadas dentro dos prazos fixados, ou seja, desde que restabeleçam o pleno cumprimento dos requisitos legais. No futuro, as instituições de crédito terão de continuar a investir em modelos de elevada qualidade. Para o efeito, é especialmente importante que reforcem ainda mais a sua função de validação interna. O BCE prosseguirá, por seu turno, a supervisão exigente dos modelos internos baseada no risco, de forma a garantir que as instituições de crédito cumprem permanentemente os requisitos de utilização desses modelos.

A excelência dos modelos internos constitui a base para uma sólida gestão do risco. A harmonização dos modelos com a regulamentação prepara melhor as instituições de crédito para gerirem os riscos em condições económicas regulares ou para resistirem a choques extraordinários.

Para resposta a eventuais perguntas dos meios de comunicação social, contactar François Peyratout (tel.: +49 172 8632 119).

Notas

  • A fim de calcular os seus ativos ponderados pelo risco, uma instituição de crédito pode utilizar modelos internos, em vez de fórmulas normalizadas.
  • A utilização de modelos internos para calcular os ativos ponderados pelo risco está, em primeiro lugar, sujeita à aprovação inicial da Supervisão Bancária do BCE. Os modelos internos das instituições de crédito são depois sujeitos a verificações (semelhantes às realizadas no âmbito do projeto TRIM) e a um acompanhamento contínuo dos modelos pela Supervisão Bancária do BCE. É desta forma que as autoridades de supervisão verificam se a instituição de crédito cumpre os requisitos para a utilização de modelos internos.
  • A TRIM teve início em 2016 como um esforço pontual de larga escala, com vista a fazer face a possíveis inconsistências resultantes da utilização de modelos internos complexos e a reduzir a variabilidade injustificada (ou seja, não baseada no risco) dos resultados da aplicação dos modelos.

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